segunda-feira, 24 de junho de 2013

Todos são vencedores!

Há algo que me incomoda bastante quando falamos de luta contra o câncer. E hoje gostaria de desabafar um pouco sobre isso. Sempre quando uma pessoa vence essa terrível doença, nós a chamamos de VENCEDORA. Claro, ela é! E como é! Mas, ao fazer isso, sem querer, estamos classificando as pessoas que não sobreviveram à doença como “perdedoras”? Isso é um tremendo equívoco!
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Porque só a luta já a torna uma vencedora. Mesmo que o final não seja aquele pelo qual esperamos. A partir do momento que se recebe um diagnóstico de câncer, todos são alçados a uma categoria especial de seres humanos: a categoria que exige uma dose extra de força e de vontade de viver. E quando compramos essa briga com a natureza, quando olhamos fixamente em direção a essa doença e gritamos “sou muito mais forte do que você imagina!”, somos vencedores.

Cada etapa do tratamento é uma batalha. E a vitória não vem apenas da cura, mas do modo como enfrentamos o problema. Quantas e quantas pessoas passaram anos brigando, expondo-se a tratamentos dolorosos, vendo seu mundo se resumir a hospital, soro, dores, febre e superação, mas, no final, sucumbiram ao mal? Foi porque foram fracos, por que não tiveram forças suficientes? Não, amigos! Talvez porque são pessoas escolhidas a dedo por Deus para ir para perto dele com espírito fortalecido, repleto de fé e devoção à vida.

Vamos enaltecer essas pessoas! Fica decretado agora que todos os que foram acometidos pela doença, mesmo que não tenham tido êxito na luta terrena, serão chamados de VITORIOSOS!

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Pronto, desabafo feito... vamos às notícias da Luíza: a pouco mais de um mês de completar 9 anos, nossa menina está linda e saudável. Exames em ordem, vida normal. Ou quase... daquela época de estresse e tensão, sobraram alguns desafios para superar agora. O nervoso fez com que o emocional da Lu ficasse um pouco fragilizado e ela desenvolveu alguns mecanismos para rejeitar a ideia de “doença”.

Ela passou a ter alguns desmaios sempre quando sentia medo de ficar doente. Se tinha febre por causa de uma gripe, já entrava em desespero. Quando tinha que fazer os exames de rotina, desmaiava ou tinha náuseas. A pressão caía e algumas vezes tive que ir buscá-la na escola por estar se sentindo tonta e com ânsia. 

Diante disso, fomos atrás de especialistas: primeiro, neurologista; depois, cardiologista. Ambos encaminharam para tratamento psicológico. Conseguimos uma psicóloga recentemente e ela está fazendo terapia.

De fevereiro pra cá, algumas dores de barriga surgiram, o que nos deixou apreensivos. Voltamos à consulta com a oncologista e, como os exames estavam ok (graças a Deus!), fomos encaminhados para uma gastro. Exames de fezes, urina e raio x, mais uma boa análise no consultório, levaram a outro diagnóstico: Síndrome do Intestino Irritável, uma disfunção intestinal gerada por... estresse! Ele, mais uma vez. Remédio? Tratamento psicológico (que bom que já estamos fazendo) e alimentação saudável (estamos nos esforçando bastante quanto a isso).

Bem, realmente eu não tinha a ilusão de que sairíamos ilesos daquele ano de tensão total. Mas não imaginei o quanto o organismo da gente responde ao nosso caos interno. Quando o emocional é afetado por medo, angústia, nervosismo, o corpo passa a dar sinais.


Luíza está bem agora, sem dor de barriga, com ótimo apetite, com energia de sobra na escola (foi até viajar com a turminha esses dias!). As notas na escola estão excelentes, ela tem uma rotina cheia de atividades gostosas e estimulantes. Só cuidar e agradecer a Deus mais uma vez por nos dar a chance de superar os obstáculos que surgem e acreditar que a vida sempre é melhor do que a gente imagina.


Um beijo

terça-feira, 9 de abril de 2013

Exames de rotina

Ontem, Dia Mundial de Combate ao Câncer, por ironia do destino, foi dia de consulta. Sete meses sem ir ao hospital... graças ao bom Deus!
Passamos em consulta com a dra. Ana, que pediu os exames de rotina: tomografia do pulmão, ressonância magnética e exame de sangue.
A químio infantil estava bem vazia, apenas três pacientes. Entre eles, a linda Maria Luíza, que vai fazer dois aninhos na semana que vem. Acompanhei o luta dos pais dela no ano passado, quando descobriram a doença: o mesmo tumor de wilms da minha Luíza.
Conversamos durante um tempo, trocando informação e, em agosto de 2012, Maria Luiza teve alta. Somente agora eu pude conhecê-la pessoalmente... uma fofura!
Cada vez que vou ao HE, fico comovida... não só pelo que passamos, mas por todas aquelas pessoas que estão lá em tratamento. Cada rosto esconde uma história de vida, mas agora todos estão nivelados aos pés da mesma doença. Um mal traiçoeiro, que não escolhe suas vítimas. Há pouca luz no fim desse túnel. Só algumas suspeitas para tantos casos no mundo inteiro: alimentação? agrotóxicos? cigarro? álcool? ainda não temos nenhuma certeza... só pontos de interrogação e angústia.

Gostaria de compartilhar uma matéria que foi publicada hoje no Jornal da Cidade com o tema. Eu dei entrevista e contei um pouco da história da nossa guerreira.

Câncer mata mais de 1 por dia em Bauru

Mesmo com evoluções no tratamento, a doença fez 400 vítimas em 2012; hoje é celebrado o Dia Mundial de Combate ao Câncer

Vitor Oshiro
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Considerado a “doença do século”, o câncer ainda preocupa muito. Apesar de toda a evolução no tratamento e no diagnóstico, a doença não para de fazer vítimas. Dados da Secretaria de Saúde de Bauru confirmam isso. Somente em 2012, 400 bauruenses morreram. Porém, casos de pessoas que superaram a doença mostram que vale a pena lutar.
Hoje, é celebrado o Dia Mundial de Combate ao Câncer. Apesar da grande mortalidade, o número de óbitos diminuiu em relação a 2011. Os dados mostram que foram 433 mortes, ou seja, 2012 teve uma redução de mais de 8%.
Mas essa diminuição não deve iludir. Nos últimos quatro anos, foram 1.655 vítimas fatais em Bauru por conta do câncer. “Hoje, o diagnóstico é mais precoce. O que ajuda bastante na possibilidade de cura. Mas ainda é considerada a ‘doença do século’”, alerta a coordenadora de oncologia clínica do Hospital Estadual (HE), Ana Cristina Xavier Neves.
Outra informação que ajuda a dar dimensão do risco real no câncer é que a doença tinha muita subnotificação no passado. “Muitos morreram de câncer sem terem sido diagnosticados. Hoje, 90% dos casos têm o diagnóstico”.
Em suma, o câncer é o crescimento desordenado de células que invadem os tecidos e órgãos. A temida e perigosa metástase é quando a doença se espalha para outras regiões do corpo.
“A causa pode ter origem hereditária e também em inúmeros fatores ambientais. Deles, o principal é o fumo, mas há também radiação, doenças virais e até mesmo a alimentação”, explica a médica.
É justamente por ser tão multifatorial que não se descobre a cura exata do câncer. “Como você pode ver, há uma prevenção. Se as pessoas evitarem essas condições ambientais, o risco de ter câncer é bem menor”.
O tratamento atual possui três pilares: a cirurgia de retirada do câncer, quimioterapia e radioterapia. “Tanto o tratamento quanto a conscientização dos médicos melhorou bastante. O problema é que, mesmo com o diagnóstico mais precoce, ainda há muitos pacientes que chegam em estado muito avançado, o que dificulta o tratamento.”
Em quimioterapia
Além dos dados de mortalidade, outra estatística mostra a face da doença. “Só no Hospital Estadual, há, atualmente, 1.500 adultos fazendo quimioterapia e cerca de 50 crianças”, revela a coordenadora de oncologia clínica do HE.
Ana Cristina alerta ainda que há vários sinais que podem denunciar a existência de um câncer, contudo, o conselho geral é ficar atento a qualquer dor constante. “Se a pessoa tem uma dor persistente em algum lugar do corpo, o fato precisa ser investigado. Ela precisa procurar um profissional”, finaliza a oncologista.

Serviço
O Hospital Estadual atende pelo Serviço Único de Saúde (SUS) em Bauru. O encaminhamento é feito pelo Serviço de Orientação e Prevenção do Câncer (SOPC). O órgão fica na rua Manoel Bento da Cruz, 26-11, Vila Santo Antônio. O telefone é o 3218-9086.


HPV como causa do câncer
Uma das principais causas de alguns tipos de câncer é o papilomavírus, ou HPV, transmitido nas relações e carícias sexuais, incluindo beijo e sexo oral. O HPV está associado ao câncer de útero, boca, orofaringe - ou garganta - e peniano. A vacina contra 4 tipos de HPV em meninas e meninos de 9 anos previne este tipo de câncer pelo resto da vida.
Vem cá Luíza, me dá tua mão...
Aceituno Jr.
“Quando você divide a dor, ela diminui”, resume Rose Araújo, mãe da pequena Luíza
17 de dezembro de 2010. A família de Luíza Araújo Peres, hoje com 8 anos, preparava-se para o Natal. Naquele dia, todos os planos foram interrompidos por uma notícia brusca. Ao levar a pequena ao médico com uma dor abdominal insistente, foi descoberta uma “massa” no rim. Pouco depois, veio a confirmação: a menina, que sempre foi saudável, estava com um tumor maligno. Tratava-se de um tumor de Wilms, um tipo de câncer renal comum em crianças. “Foi um choque. Mas, a médica disse que iria tirar e que nós não precisávamos sair do hospital e se jogar na frente de um caminhão”, conta a mãe de Luíza, Rose Araújo, 38 anos.
“Nós nos desesperamos, mas tivemos que segurar a onda e entrar no quarto, olhar pra carinha dela e enfrentar. Ela precisava da gente forte e passando segurança”, aponta. O rim direito de Luíza foi retirado. A partir daí, começou outra luta. Era preciso fazer radioterapia e quimioterapia. “Não há um equipamento decente em Bauru para radioterapia e era véspera de Natal. Então, tudo era mais difícil”.
O tratamento durou 34 semanas. Foram 27 sessões de quimioterapia. Cada mês que passava, Luíza comemorava e tirava a folha do calendário. A válvula de escape foi criar um blog. O “Vem cá Luíza, me dá tua mão...” (umalindaluiza.blogspot.com.br) era, ao mesmo tempo, uma forma de contar a amigos e familiares o passo a passo do tratamento e pôr para fora a angústia. “Quando você divide a dor, ela diminui”, resume Rose Araújo.
Um ano depois de luta árdua, Luíza voltou para a escola. Os exames semestrais mostram que ela não tem mais nada. Em janeiro deste ano, Rose voltou a postar, após seis meses, no blog. “Como é bom perceber que o pesadelo é cada vez mais distante da nossa realidade”, diz, na postagem. Já a Luíza voltou ao hospital. Dessa vez, não usava a vestimenta de paciente. Fantasiada de fada, ela levou brinquedos para os amigos que ainda estão na luta. Na verdade, levou esperança.


‘Coloco a bola no meio campo e parto para a vitória’
Seu time está com a vitória nas mãos até o fim do segundo tempo. O título está próximo. Parece que nada pode dar errado. Então, de repente, o adversário vira o placar. Como levantar a cabeça e reiniciar a partida? É essa a lição que Lucas Roberto Brandino Leme, 25 anos, passa a todos que conhecem sua história. Com o sonho de ser jogador desde que nasceu, o garoto, apelidado de Kejinho, passou por diversos clubes como Guarani, União São João, XV de Jaú e Toledo, sendo convocado para a Seleção Paulista sub-15 e pré-convocado na Seleção Brasileira da mesma categoria.
Quando tinha 15 anos, assinou contrato para jogar no clube italiano Roma. Entre alegria e expectativa, Kejinho começou a sentir algo estranho quando se exercitava “Eu estava treinando e passei mal, tive falta de ar e, um dia, acabei desmaiando”, conta. Ao procurar um médico, descobriu o pior. “O médico diagnosticou um câncer e me deu duas semanas de vida. Ele falou que o estágio da doença era muito avançado e, como estava muito grande no meio dos meus pulmões, ia acabar estourando eles”, lembra.
Kejinho e seus familiares ficaram em choque. Segundo ele, “muitas pessoas, inclusive médicos, não acreditaram que eu superaria esse problema, mas nunca pensei em desistir”. Após três anos de tratamento, Kejinho realizou os exames necessários e sua doença havia sido inteiramente curada. “O tratamento foi muito bom, mas tem três coisas que me seguraram: Deus, minha família e meu sonho de jogar futebol.”
Hoje, dez anos após o susto, ele está totalmente curado. Cursa administração e trabalha em uma agência bancária em São José do Rio Preto. De toda a doença, ficou a lição sobre o que fazer em situações graves: “coloco a bola no meio campo, reinicio a partida e parto para a vitória”.
Cartilha
A edição de ontem do JC veio com uma cartilha mostrando como os alimentos certos podem ajudar a eliminar as células cancerígenas. Ao todo, foram confeccionados 30 mil exemplares, com parceria do Jornal da Cidade e apoio da 96 FM, Associação Bauruense de Combate ao Câncer (ABCC), Grafilar e Ducom Design e Propaganda.
A cartilha “Como a alimentação pode ajudar a prevenir e vencer o câncer”, uma iniciativa da Rádio Auri-Verde, mostrou como cada alimento pode agir para prevenir os mais variados tipos de tumores.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Hora de agradecer

Olá, tudo bem?

Estamos há quase seis meses distante desse cantinho... mas isso é um bom sinal. Sim, a vida tem seguido seu curso normal e a nossa menina está linda e esbanjando saúde. Os exames de acompanhamento continuam, mas agora são semestrais. Como é bom perceber que o pesadelo é cada vez mais distante da nossa realidade.

Luíza foi muito bem na escola no ano que passou e está se preparando para voltar às aulas nos próximos dias, agora no 3° ano. O cabelo está chanel, todo cacheado, bem mais do que era antes da químio (alíás, eles estavam bem lisos antes da queda). Ela se acostumou com a nova textura dos fios e está feliz da vida porque já é possível fazer rabo de cavalo.

No final do ano, voltamos ao hospital, mas dessa vez para agradecer toda a atenção que tivemos da equipe. Nossa maneira de retribuir foi alegrando o dia de alguns pequenos guerreiros que estão em tratamento. Vestida de fada, Luíza levou brinquedos para todos os amiguinhos, arrancando lágrimas dos adultos e sorrisos dos baixinhos.

Bastou um pedido no facebook para recebermos ajuda de vários amigos, que contribuíram com brinquedos e prendas para o bingo dos pacientes do HE. Muito obrigada a todos que ajudaram...

Seguem algumas fotos desse momento mágico:










Abraços,
Rose

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

8 anos

Por que você é flamengo
E meu pai botafogo?
O que significa
"impávido colosso"?
Por que os ossos doem
Enquanto a gente dorme?
Por que que os dentes caem?
Por onde os filhos saem?
Por que os dedos murcham
Quando estou no banho?
Por que as ruas enchem
Quando está chovendo?
Quanto é mil trilhões
Vezes infinito?
Quem é Jesus Cristo?
Onde estão meus primos?
Well, well, well
Gabriel...(bis)
Por que o fogo queima?
Por que a lua é branca?
Por que a terra roda?
Por que deitar agora?
Por que as cobras matam?
Por que o vidro embaça?
Por que você se pinta?
Por que o tempo passa?
Por que que a gente espirra?
Por que as unhas crescem?
Por que o sangue corre?
Por que que a gente morre?
Do que é feita a nuvem ?
Do que é feita a neve?
Como é que se escreve
Réveillon?
(Oito anos, Paula Toller)


Luíza, 8 anos recém-completados, linda, saudável, feliz e cheia de vontade de viver... não preciso de mais nada nessa vida, meu Deus! Obrigada por essa dádiva!!!
 


domingo, 17 de junho de 2012

A vida como ela é

Olá a todos!

Esse ano está passando rápido, né? Lá se foi a metade de 2012!
Que bom! Apesar de não estarmos mais em contagem regressiva pra nada (graças a Deus!), seria bom se o mês de agosto chegasse logo. É que esse é um período muito especial do ano. Luíza vai completar 8 aninhos dia 2/8. E não é só isso: nesse mês, vamos completar 1 ANO do fim do tratamento e isso não é só uma data a ser comemorada. É muito mais que isso!

O primeiro ano após o tratamento ainda é cercado de muita expectativa. Tudo ainda é muito recente e as idas ao hospital ainda são constantes. Apenas para exames, é claro! Mas é uma rotina extenuante.
Voltar ao HE ou ao Hospital da Unimed sempre traz muitas recordações nada agradáveis. E a nossa ansiedade vai a mil a cada exame feito. O frio na barriga é impossível de controlar. Enquanto não sai o parecer do médico dizendo que está tudo bem, que ela está ótima, a gente treme nas bases.

Agora em junho Luíza está fazendo a bateria de exames do trimestre. Fez ultrassom, raio X e ecocardiograma. Tudo limpinho e tranquilo... ufa! Depois de agosto, esses exames deverão se tornar semestrais. E isso é um grande passo, um grande alívio também. Então, que venha agosto!

Alegria sempre!
Tirando esses exames e a tensão que eles causam, podemos dizer que a rotina tem voltado ao normal (a rotina, não a vida, porque a vida nunca mais vai ser como era. Tem outro sabor, outra cor...).
Luíza está superbem na escola! Está adorando tudo: as aulas, os amigos, a professora, a hora do recreio e as aulas de dança e de pintura em tela. Sim, ela já pintou dois quadros lindos. E o primeiro está aqui:


Ontem foi a Festa Junina da escola. Chorei baldes ao vê-la se apresentar. Foi inevitável comparar com a festa do ano passado, quando juntamos a família e fizemos o Arraiá da Luíza, tudo muito íntimo e cheio de cuidados, já que ela estava no meio do tratamento (veja aqui). Algumas pessoas até me dizem: pra que ficar lembrando disso? E eu respondo: isso é importante para solidificar a vitória e mostrar como tudo isso está ficando para trás.


Luíza dançou de caipirinha e, depois, de cowgirl. Uma graça! Sempre feliz e curtindo muuuiiito cada momento. Isso é o que faz a vida valer a pena!

Toda pedra no caminho...

Nesses quase três meses que não posto, aconteceram alguns sustos. Depois de um longo período sem ter nada, um belo dia Luíza começou a ficar abatida e a tremer. Coloquei o termômetro e veio o susto: 38,5°. Ela começou a chorar dizendo que não queria ir pro hospital. Nós a tranquilizamos e dissemos que não seria necessário, que a gente ia observar em casa. Foi uma longa noite em claro, medindo a temperatura a cada meia hora.

Dois dias depois, vieram os espirros e o nariz congestionado. Ufa! Apenas uma gripe... ah, que criança não tem gripe? Não é por nada, não, mas nunca imaginei que ficaria "feliz" em descobrir que era gripe. Sinal de que tudo está voltando à normalidade.

Tá, mas também não precisava exagerar, né? Passados alguns dias e depois de estar recuperada da gripe veio uma dor de barriga. Aí o negócio foi de assustar! E toca a gente ligar pra doutora Ana, que disse pra levar ao hospital. Luíza retrucou: "não, já estou ficando boa, não quero ir para o hospital". A dor foi resultado de um desarranjo intestinal, que logo passou e não voltou mais. Como isso aconteceu na véspera do ultrassom, nós ficamos um pouco mais calmos: qualquer coisa de errado, o exame apontaria. Não apontou nada, tudo tranquilo. Sintomas de um dia exagerando na alimentação inadequada (doces, churrasco e refrigerante).

Somando-se a esse turbilhão de emoções, veio uma notícia muito, mas muito triste mesmo. Ficamos sabendo que uma das coleguinhas de químio, que também havia se tratado do Wilms, virou uma estrelinha. Foi uma grande guerreira, mas tinha um tipo mais agressivo do tumor.

Essa notícia nos derrubou! Você tem um prognóstico de 90% de cura para essa doença e, de repente, fica sabendo que alguém tão próximo não conseguiu vencer! Como assim? Vem o medo, o desespero, a angústia e até mesmo a culpa. Como comemorar a vitória da nossa filha vendo uma mãe e um pai sofrendo a perda de seu filho pra essa doença maldita?

Toda a nossa solidariedade à família da linda Heloíse. Que Deus conforte o coração de vocês!

E, quanto à nós, cabe agradecer diariamente, de joelhos, as bênçãos que recebemos. Agradecemos a vida, a saúde, a alegria e a vitória. E sempre pedimos com todas as forças para tudo isso que nos aconteceu ficar guardado numa caixinha de lembranças do passado, para que a gente só abra quando precisar refletir e agradecer a Deus e Nossa Senhora.

E que venha agosto!

Beijos

Rose

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Pique total!

Olá!

Estamos bem sumidos daqui, é verdade!
Mas, com tantas coisas boas acontecendo, queremos mais é aproveitar a vida.

Algumas pessoas ainda acompanham o blog e têm me cobrado notícias da nossa guerreira, por isso, dei uma passadinha rápida para atualizá-los.

Retomamos nossa rotina e isso é maravilhoso. A escola faz um bem danado... estar cercada de amigos, ter horários, aprender coisas novas... isso tudo é bom demais!

Luíza voltou com pique total e está com sede de novidades. Quer fazer tudo o que aparece...
Além das aulas normais, está fazendo curso de Pintura em Tela e Street Dance na própria escola e adora!

Nossa última visita ao hospital foi dia 2 de fevereiro. Como, graças a Deus, ela estava ótima, entrou no esquema de avaliações trimestrais. Ô coisa boa ficar tanto tempo sem ir ao HE!!! Nossa próxima consulta é dia 2 de maio, quando a dra. Ana vai pedir os exames do trimestre.

Ah! O cabelinho está crescendo bem rápido... e todo cacheadinho! Coisa linda de ver:


Feliz Páscoa para vocês! Que o renascimento de Jesus mostre que é sempre possível acreditar na felicidade e na paz.


Beijos,

Rose

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Transmitindo esperança...

Fevereiro teve início com uma bela, esperada e grandiosa novidade: a volta para a escola. Foi mais um momento que rendeu muitas lágrimas e emoção de sobra para os papais aqui.
Estar de volta ao convívio escolar é um sinal de vitória, assim como o crescimento do cabelo e tantas outras coisas que retomamos nos últimos meses.

Luíza estava feliz, ansiosa, animadíssima para recomeçar a sua rotina escolar. Muitos amiguinhos a reconheceram e isso a deixou bem alegre. Fomos com ela até a sala de aula e o nó na garganta era enorme. Fomos recebidos pela diretora, dona Graça, e pela professora, Silvana, que acompanharam a história da pequena aqui pelo blog (e também através do contato que mantivemos ao longo do ano passado).

Ainda estamos curtindo esse momento de redescoberta com bastante cuidado e carinho. Logo virão novas conquistas, se Deus quiser!

Enquanto isso, ainda mantemos uma certa rotina de hospital, já que os exames de acompanhamento e as consultas são necessários. Dia 2 foi dia de hemograma e visita à dra. Ana. Sem querer ser redundante, temos mais uma vez que erguer as mãos aos céus. Os exames estão ótimos, sem nenhum sinal de preocupação, e os super-heróis da princesa estão a postos.

Dra. Ana a abraçou e parabenizou por mais essa vitória (sempre é uma vitória ver tudo caminhando bem).

Em casa, seguem os cuidados com a alimentação e com a homeopatia, que vamos manter por mais cinco anos, pelo menos. O Bactrim - antibiótico que ela toma desde o começo do tratamento e que tem o objetivo de prevenir pneumonia fúngica - segue até o final desse mês. Depois, estamos livres.

Na mídia

A nossa luta sempre foi exposta aqui no blog de peito aberto. Isso nos ajudou demais na caminhada e recebemos muito apoio de perto e de longe. Agora queremos passar essa força adiante. Por isso, ao sermos convidados para dar entrevista falando sobre o que passamos, aceitamos de coração e sempre com a intenção de mostrar para quem está enfrentando a doença que sim, é possível vencer e ser feliz novamente.

Vou colocar abaixo duas matérias que foram publicadas recentemente e que pudemos dar a nossa contribuição. Uma delas saiu no jornal Bom Dia Bauru, da Rede Bom Dia, de autoria da jornalista Cristina Camargo:
http://www.redebomdia.com.br/flip/bauru/2012/2/12/index.html




A outra foi publicada na revista O Perigo do Câncer, da Editora Alto Astral, que está nas bancas e é um excelente material sobre o assunto:




A seguir, reproduzo a matéria da jornalista Adriana Serrano:

A superação é possível

Ninguém passa imune emocionalmente por um diagnóstico de câncer, mas especialistas (e pessoas que viveram o problema) mostram que essa experiência pode, sim, ser positiva. Veja como!

Texto Adriana Serrano ❙ Design Larissa Ramos

“Os exames demonstraram que você tem um tumor”. A frase, vinda assim, clara e objetiva da boca do médico, não deixa dúvidas sobre o diagnóstico. Mas o que se passa na cabeça e no coração de quem ouve essa mensagem não é nada simples nem objetivo.

“Quando você recebe um diagnóstico de câncer, a primeira reação é de pavor. Ainda mais quando a notícia cai como uma bomba, de repente, e no ser mais importante de sua vida: sua filha de seis anos”, relata a jornalista Rose Araújo, que enfrentou, através da filha Luíza, a experiência do câncer infantil.

A menina foi diagnosticada com tumor de Wilms no rim e nem o prognóstico favorável (as chances de cura giram em torno de 90%) impediram que toda a família ficasse desesperada.

Casos como os de Rose e Luíza infelizmente estão se tornando cada vez mais comuns, à medida em que o câncer avança, mas a doença não representam mais, como no passado, uma sentença de morte.

Por isso, o enfrentamento psicológico do problema vem se tornando parte essencial do tratamento, já que contribui para uma resposta mais positiva aos medicamentos e, inclusive, uma melhor aderência à longa jornada de superação da doença.

A relatividade do tempo

“Foram apenas duas horas entre o diagnóstico e a cirurgia”, lembra a mãe de Luíza. De fato, em muitos casos de câncer, o tempo pode ser o maior inimigo da cura e, por isso, é preciso agir rápido, o que exige ainda mais do emocional. Isso sem falar no quanto a vivência do tempo muda para quem acaba de identificar um câncer: a avalanche de emoções pode fazer com que horas sejam vividas como segundos, e vice--versa. “Esse é um momento que precisa ser conduzido com muito discernimento por parte do profissional encarregado de informar e orientar sobre a situação. As reações são muito diversas, bem como as estratégias de enfrentamento”, pontua a psicóloga Andréa Costa Dias, do Instituto Lado a Lado pela Vida. “O corpo e as emoções (insegurança, medo, angústia, incerteza) assumem o primeiro plano, e o cotidiano tem de ser redimensionado, pois deve incluir as várias etapas do percurso de tratamento”, completa.

A confusão de emoções de quem passa por essa experiência trágica deixa os principais envolvidos “fora do ar”, num momento em que há muitas providências urgentes a tomar: como consequência, as obrigações do dia a dia (entre elas o próprio cuidado consigo) vão ficando para trás. Enquanto todos se reorganizam emocionalmente para voltar à estabilidade, poder contar com um ombro amigo pode ser de grande valia. “Recebemos muito apoio de todos à nossa volta. Palavras de fé, orações, telefonemas e amparo dos amigos e familiares foram nossa pilastra nos dias mais difíceis”, confirma Rose.

Esse tipo de apoio, durante o tratamento, pode ser mais valioso do que parece, já que dividir a dor, falar sobre o que se sente, ajuda muito no caminho da superação. “É relevante também não sucumbir à ‘ditadura da fortaleza’, como se fosse possível ser forte todo o tempo. Chorar, entristecer-se, faz parte das situações difíceis da vida, e com o câncer não é diferente”, aponta Andréa.

Positividade sempre

Outro segredo de quem enfrentou com sucesso um tumor é a vivência positiva de cada passo do tratamento.

Isso significa olhar com entusiasmo para o que está dando certo, passando por cima do que não está, e lutar para jamais perder a fé. “O câncer pode se apresentar apenas como uma grande tragédia, mas pode também vir como uma grande oportunidade de mudanças. Positivar essa experiência é a melhor forma de se passar por ela”, diz a psicóloga Mariana Lima, que faz parte da equipe multidisciplinar da Oncomed, de Belo Horizonte (MG). “Não estou deixando de lado ou banalizando o sofrimento que alguns têm frente ao diagnóstico ou ao tratamento mas, na minha prática, é muito claro como as pessoas se surpreendem com a sua capacidade de superação e ressignificação do câncer como algo que veio para dar um novo norte a suas vidas e passam a valorizar o que de fato é importante, tentando viver de forma mais saudável e leve”, afirma. A confiança na equipe médica e no que o tratamento é capaz de oferecer é, ainda, uma nova chave para a superação dessa jornada emocional: acreditar que há uma saída, por mais difícil que tudo possa parecer, e cumprir à risca as recomendações  médicas, faz toda a diferença e precisa ser encarado com seriedade.

Volta para si

De acordo com Mariana, uma das principais lições deixadas pelo câncer é a necessidade de olhar para si, se cuidar e viver de uma forma mais saudável, tanto emocional quanto fisicamente. “Há uma retomada de valores e necessidades e uma priorização de si mesmo”, diz, explicando que o próprio tratamento exige essa conscientização.

Por conta disso, a doença pode representar uma oportunidade (e, na verdade, uma necessidade) de deixar de lado todos os problemas rotineiros para cuidar de si, revendo prioridades e hábitos de vida pouco saudáveis, que representam a causa da maior parte dos tumores em todo o mundo. Para a psicóloga do Instituto Lado a Lado, a ansiedade vai se dissipando conforme se encara o problema. “À medida em que o tratamento  vai acontecendo, as coisas se tornam mais contornáveis, mais possíveis. Muitos passam a rever medos e conceitos anteriores relacionados ao câncer; principalmente a ideia de que não haveria muito que ser feito”, garante Andréa.

Vontade de vencer

Para Rose, a vontade de vencer o câncer é fundamental na superação. Ela dá a receita: “é preciso pensar sempre que as coisas estão dando certo, mesmo quando elas dão errado. Encarar o processo por etapas, um dia de cada vez, acreditando que tudo vai estar melhor quando amanhecer. Acreditar no poder dos remédios e na experiência da equipe médica e – fundamental – não se deixar abater pelas dores dos semelhantes. Até parece egoísmo, mas deixei de acompanhar blogs que tratavam sobre câncer e procurei não entrar em detalhes nas histórias que ouvia no hospital. Por mais que cada caso seja um caso, a gente acaba  absorvendo a dor das outras mães e dos outros pacientes. Criei um blog para contar nossa luta e ele foi importantíssimo para manter a nossa força. Através dele, pudemos compartilhar nossa angústia e nossas vitórias. Quando dividimos a dor, ela se torna menor. E recebemos muito apoio e carinho de todos os leitores.”

Doença que provoca doença

O estresse vivido por um diagnóstico de câncer é tão grande para algumas pessoas que pode chegar a provocar transtornos psicológicos. Um dos mais expressivos é o Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT), um conjunto de sintomas específicos desencadeados pela exposição a um evento traumático, que envolve morte, sério ferimento ou ameaça à integridade física do indivíduo. “O câncer é uma doença que se encontra ainda muito impregnada por mitos e associada à morte no senso comum. Mesmo em casos em que haja um bom prognóstico,
pode desencadear o transtorno de estresse póstraumático”, afirma Mariana.

Além do TEPT, outras patologias de ordem psicológica, como depressão e ansiedade generalizada, podem ser desencadeadas pelo diagnóstico de câncer, e não devem ser ignoradas. “Por isso é tão importante o acompanhamento psicoterápico nessa fase, para que exista uma avaliação e um cuidado especial nesse momento”, orienta a especialista.

Uma nova identidade

A exposição de diversos casos de câncer na mídia, envolvendo pessoas queridas do grande público, como o ex-presidente Lula e o ator Reynaldo Gianecchini, traz a doença mais para perto da população que não convive com ela diretamente. Nesse sentido, o choque pela mudança
no visual (cabelos raspados para evitar a queda, que é a marca da doença) é o que mais chama a atenção, causando comoção geral. No entanto, a necessidade de se desprender do passado e refazer a identidade por conta da doença é emergente, embora represente um processo bastante
complicado do ponto de vista emocional. “Para muitas pessoas, a experiência do câncer, assim como uma série de outras experiências intensas e viscerais, tende a se tornar um ponto de parada, uma abertura para reposicionar-se diante de si, das relações com os outros e com o mundo”, lembra Andréa. É o momento, portanto, de dar as boas-vindas ao novo. E de aprender, de uma vez por todas, o significado da palavra “superação”.

 “Não sei de onde sai a força, mas conseguimos olhar de maneira positiva para tudo o que acontecia. Cada conquista era comemorada. E sempre procuramos monitorar nossa mente para não ter pensamentos negativos. Claro que não somos de ferro e vivemos dias de angústia, principalmente nas duas internações que ela enfrentou durante a quimioterapia. Eu e o meu marido nos revezávamos nas aflições. Quando ele caía, eu o erguia. E vice-versa. O fato da Luíza ser criança também foi um bálsamo, porque ela não tinha a dimensão do problema. Quando não estava passando mal, ela sorria, brincava e mostrava que a vida podia ser normal novamente. Algumas vezes, foi ela quem me levantou psicologicamente, mostrando que estava bem e que queria passar por tudo isso com força e alegria.”

Rose Araújo, mãe de Luíza (6 anos), que se salvou de um câncer no rim